De Santa Catarina ao Peru a pé: francês encara milhares de quilômetros pela rota do Peabiru

Um francês que vive no Brasil há 34 anos está atravessando o Paraná a pé em uma aventura que mistura história, cultura, espiritualidade e muita disposição física.

Gilles Verrecchia está em Cascavel, no Oeste do Estado, depois de passar cerca de quatro meses percorrendo trechos do antigo Caminhos de Peabiru.

A expedição começou em março, em Santa Catarina.

De lá, Gilles seguiu em direção ao Paraná e vem avançando pelo Estado com uma estrutura que cabe em um carrinho que ele leva durante a caminhada.

A ideia é chegar a Foz do Iguaçu e, depois, continuar pelo Paraguai, Bolívia e Peru, até Cusco.

O objetivo final é fazer uma conexão simbólica entre o Caminhos de Peabiru e dos Incas.

Do Atlântico ao Pacífico

Gilles já conheceu 45 países e vive atualmente em um motorhome, em Curitiba.

Antes de iniciar a expedição, já havia percorrido montanhas do Paraná e Santa Catarina e também fez os Caminhos de Santiago, na Europa.

A última aventura começou na Praia do Naufragado, em Santa Catarina.

Gilles escolheu um dos vários trajetos associados ao Peabiru e começou a caminhada acompanhado dos filhos.

Depois, seguiu sozinho.

Desde então, já percorreu aproximadamente mil quilômetros.

Em alguns dias, caminha 15 quilômetros.

Em outros, chega a 30 ou até mais.

O recorde durante a expedição foi de 42 quilômetros em um único dia, debaixo de chuva.

A caminhada, porém, não tem prazo definido. "Eu não tenho pressa.

O tempo não existe mais", conta.

Gilles explica que passa dias em alguns lugares para conhecer pessoas, conversar e descobrir histórias pelo caminho.

E foi justamente essa convivência que acabou se tornando uma das partes mais marcantes da viagem.

Uma mochila, um carrinho e muita estrada

O francês banca a própria expedição e carrega praticamente tudo o que precisa.

Barraca, colchão, roupas para frio e chuva, alimentos e utensílios fazem parte da estrutura.

E aí aparecem alguns dos desafios menos glamourosos de uma aventura desse tamanho: banho, alimentação, peso da bagagem e onde dormir.

Mas, segundo ele, uma das maiores dificuldades está justamente nas estradas.

Parte dos caminhos históricos passa atualmente por regiões cortadas por BRs e PRs.

Como Gilles faz os trajetos a pé, muitas vezes no sentido contrário ao fluxo dos veículos, o trânsito pesado se transforma em um dos principais riscos.

Hospitalidade pelo caminho

Se as rodovias trouxeram preocupação, a recepção dos paranaenses tem sido uma das surpresas positivas da viagem.

Gilles conta que recebeu comida, água, banho e até lugares para dormir oferecidos espontaneamente por moradores.

"Que recebimento, que gentileza, que hospitalidade", resume.

Em alguns municípios, o contato também revelou histórias que não estavam necessariamente relacionadas à rota histórica, que ele compartilha nas redes sociais.

Para Gilles, isso mostra que os Caminhos de Peabiru não é apenas uma rota espiritual ou de aventura.

É também uma forma de conhecer a cultura e as histórias das comunidades por onde passa.

E o que são os Caminhos de Peabiru?

Os Caminhos de Peabiru são uma antiga rede de trilhas indígenas que, segundo registros históricos e pesquisas, conectava o Oceano Atlântico ao Pacífico.

A rota atravessava o território que hoje corresponde a diferentes países da América do Sul.

No Paraná, o caminho percorria o Estado de leste a oeste e era utilizado por diferentes povos, especialmente Guarani, Kaingang e Xetá, além de ter sido posteriormente percorrido por outros grupos e viajantes.

O nome Peabiru tem origem tupi-guarani e é associado à ideia de um caminho aberto ou marcado na vegetação.

Hoje, o Paraná trabalha para transformar essa antiga rede de trilhas em uma rota turística estruturada.

Próxima parada: Foz do Iguaçu

Agora, o francês está na reta final da travessia pelo Paraná.

Ainda faltam cerca de 150 quilômetros até Foz do Iguaçu.

Depois disso, a caminhada ganha uma dimensão ainda maior.

Gilles pretende atravessar o Paraguai, seguir pela Bolívia e chegar ao Peru.

E há um ritual que ele pretende repetir no fim da jornada: 

Quando chegar ao Oceano Pacífico, levará consigo a água que retirou do Atlântico no início da expedição.

A ideia é simbolizar, com a caminhada, a ligação entre os dois oceanos.

"Cada país vai ser uma outra história", resume o francês, que ainda não sabe exatamente quando chegará ao destino final.

Para Gilles, talvez seja justamente essa a graça da viagem: 

Não ter pressa para chegar.

Veja no link abaixo o vídeo:

https://www.dailymotion.com/video/xazbi6e

Fonte: CATVE.

Foto: CATVE.

Veja foto Abaixo: