Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que o aumento do número de casos e internações por covid-19 em vários estados que vem sendo registrado desde o início de novembro está encontrando um sistema de saúde menos preparado para atender à demanda por leitos de enfermarias e unidades de terapia intensiva (UTIs), não só nas regiões metropolitanas, mas principalmente nas cidades menores do interior.

De acordo com o epidemiologista do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz) e um dos autores do estudo, Diego Xavier, no início da epidemia no Brasil, houve uma demanda grande nas regiões metropolitanas, e só depois veio a interiorização da doença, num momento em que a incidência da covid-19 já apresentava sinais de estabilidade nas cidades maiores.
“Agora, a covid-19 está fortemente presente tanto nas regiões metropolitanas do Paraná, quanto nas cidades do interior. E a epidemia está sincronizada, não começa mais nas metrópoles para depois ir para o interior. Um novo aumento dos casos pressionará a capacidade do atendimento à saúde das regiões metropolitanas, reduzindo também seus recursos para atender a pacientes vindos do interior. Na maioria dos lugares, a assistência à saúde deverá ser incapaz de atender à demanda”, disse o pesquisador.
Um exemplo é a Cidade de Pato Branco, com 100 % dos leitos ocupados e com um aumento de 400 % a cidade passa seu pior momento.
Segundo a secretária de Saúde, Márcia Fernandes de Carvalho, o município não tem mais profissionais de saúde disponíveis. Além disso, se o número de casos continuar aumentando, não será possível atender todos os pacientes.
"Neste momento precisamos do respeito a essa condição dos profissionais de saúde e das unidades hospitalares. Infelizmente, no dia de ontem nós tivemos que fazer escolhas. É muito triste escolher quem vai para a UTI e quem não vai, e vermos as pessoas morrendo."
Em Toledo nesta quinta-feira(24) já conta com mais de 18.386 casos notificados para o COVID-19, com 8.396 casos notificados, com 8.855 já descartados e 272 em análise. No total são 9.269, os toledanos que testaram positivo para o novo vírus, com 8.101 recuperados e 1.080 pessoas que seguem com o vírus ativo, além de 88 vidas perdidas em decorrência da enfermidade.
Atualmente temos 43 pessoas internados em hospitais do município. Destes, 19 estão em leitos de enfermaria e 24 encontram-se em quartos de UTI. Com ocupação de 100 % de ocupação na UTI.
O colapso do atendimento aos novos casos é real e poderá acontecer nas próximas semanas, agravada pela chegada das festas de fim de ano e das férias. “A circulação das pessoas no período de festas de fim de ano e férias deve acelerar a disseminação do vírus, que já circula com bastante velocidade e volta a ocupar os leitos hospitalares. Afinal não tem mais leitos disponíveis. A movimentação das pessoas tende a aumentar a necessidade de atendimento por outros agravos de saúde como os acidentes de trânsito, por exemplo, a onde profissionais terão que escolher quem vai para UTI e quem não vai. Ou quem vai viver ou morrer.
Publicidade:
